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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Dolina de Covão do Feto


Na base do reverso da Costa de Minde e a menos de 2 km a norte do acidente geológico que corresponde ao cavalgamento do Maciço Calcário Estremenho sobre a bacia terciária do Tejo (cavalgamento do Arrife), no bordo sul do planalto de Santo António, o Covão do Feto é uma depressão cársica fechada, de forma aproximadamente circular e com fundo aplanado coberto de sedimentos argilosos, com potencialidade agrícola e pastorícia. Num dos bordos da depressão desenvolve-se a povoação com o mesmo nome.
Com uma profundidade de aproximadamente 40 m em relação ao topo das vertentes suaves, a depressão tem cerca de 1,2 km de comprimento por 1 km de largura, parecendo denunciar um controlo estrutural seguindo a orientação das grandes falhas existentes na região com orientação paralela à falha do Arrife.
A sua origem poderá estar associada a um vale normal de uma linha de água que servia de coletor principal à drenagem do sector oriental do planalto que escoava para a bacia do Tejo na região do Covão e que terá evoluído para um vale cego quando o maciço se elevou. Na sequência da sua evolução, a linha de água ter-se-á infiltrado em profundidade, mas a proximidade com a zona de saturação cársica terá condicionado o aparecimento da depressão, onde se verificariam inundações periódicas responsáveis pela aplanação do fundo.

Fonte:
http://www.natural.pt/portal/pt/Geossitio/Item/64

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) foi criado através do decreto-lei nº 118/79 com o intuito de "definir uma área onde se procedesse à protecção dos aspectos naturais existentes, à defesa do património arquitectónico e cultural, ao desenvolvimento das actividades artesanais e à renovação da economia local, bem como à promoção do repouso e do recreio ao ar livre".
De entre os objectivos que presidiram à criação desta área protegida, salienta-se a protecção dos aspectos naturais, salvaguardando os aspectos geológicos com interesse científico ou paisagístico, bem como a flora, principalmente a vegetação clímax e a fauna que caracteriza a região.
O PNSAC está localizado numa zona de transição entre a Estremadura e o Ribatejo, constituindo uma barreira natural elevada, que separa os relevos baixos da orla litoral, das férteis planícies da bacia sedimentar do Tejo. Repartido pelos distritos de Leiria e Santarém, abrange uma área de 35000 ha, pertencentes a 6 concelhos: Alcanena, Alcobaça, Ourém, Porto de Mós, Rio Maior, Santarém e Torres Novas.
O território abrangido pelo PNSAC estende-se por uma área quase integralmente constituída, do ponto de vista geológico, por afloramentos calcários de idade mesozóica. Este território faz parte de uma vasta unidade geomorfológica - o Maciço Calcário Estremenho 
A importância desta área protegida reparte-se por valores de ordem ecológica, geológica, turística, científica, cultural e económica, sempre em redor da sua matriz calcária que conduz a especificidades em todos estes domínios.
Domínio dos calcários, que lhe conferem uma unidade profunda, o sector do Maciço Calcário Estremenho alberga distintas unidades geomorfológicas que, pelas suas características, representam um importante factor de diversidade. A ocidente estende-se a comprida serra dos Candeeiros, a leste avista-se a serra de Aire, enquanto a zona de Porto de Mós corresponde ao ponto de confluência dos vales da Mendiga e de Alvados / Mira de Aire-Minde. Entre estas duas importantes depressões situa-se o planalto de Santo António.
A secura, acentuada pela ausência de cursos de água superficiais, marca uma paisagem a que falhas, escarpas e afloramentos rochosos conferem um traço vigoroso.
A água corre através de uma intrincada rede subterrânea. A erosão cársica originou formações características - poljes, campos de lapiás, lapas e algares, uvalas e dolinas numa rara profusão de formas. As cavidades são férteis em temas espeleológicos.

Ler mais:
http://www2.icnf.pt/portal/ap/p-nat/pnsac

terça-feira, 1 de maio de 2018

O polje de Mira - Minde

Polje inundado

Situado entre as vilas de Minde e de Mira d'Aire, o polje de Mira - Minde é uma depressão cársica e tectónica, com o fundo plano e onde surgem nascentes temporárias (ponors), responsáveis por inundações nos invernos de maior pluviosidade.
Nascente do Poio
Embora seja a mais ampla depressão cársica do Maciço Calcário Estremenho (onde essas depressões são relativamente frequentes), o polje de Mira - Minde não tem grandes dimensões: cerca de 4 km de comprimento por 1800 m de largura máxima. 
Ao contrário dos vales fluviais, esta depressão é inteiramente fechada, não havendo, por isso, drenagem superficial. Três ponors (o Poio, o Regatinho e o Olho da Mira) funcionam como emissivos quando a precipitação intensa e continuada faz subir o nível freático. Durante a estação chuvosa, os três ponors dão origem a três ribeiros que rapidamente inundam a área do polje devido à sua deficiente permeabilidade. No entanto, a água é apenas retida temporariamente porque começa a escoar-se através de vários sumidouros.
"Pincha" de Minde
A depressão apresenta, em determinados locais, diferentes tipos de depósitos  sedimentares detríticos. Um desses, designado popularmente por "Pincha de Minde", constituído por curiosos clastos em forma de lágrima, tem sido interpretado como um depósito glácio-lacustre, ou seja, o vestígio de um antigo lago resultante da acumulação das águas de torrentes resultantes do degelo durante a época da última glaciação. 


Forte Jesus de Mombaça