domingo, 23 de dezembro de 2018

Forte de São Julião da Barra

No enfiamento da costa que contorna o estuário do Tejo, sobranceiro ao local onde o rio se reencontra com o mar, ergue-se em Oeiras o poderoso Forte de S. Julião da Barra.
Construído em local estratégico que domina a entrada da Barra, São Julião é uma das mais importantes construções militares do país. Embora não seja possível precisar a época em que se iniciaram as obras da Fortaleza de São Julião, as opiniões dividem-se entre os anos de 1553 e 1556, sendo a paternidade da traça atribuída a Miguel de Arruda, um dos mais famosos arquitectos da época.
No ano de 1580, quando as tropas do Duque de Alba invadiram a capital, a fortificação era composta por cinco baluartes de diferentes dimensões, e no interior, para além das instalações de aquartelamento e armazéns, dispunha-se no centro da praça de armas uma grande cisterna que constitui o seu núcleo central, à semelhança do que sucede nas praças de Mazagão e da Ilha de Moçambique.
No entanto, a vulnerabilidade defensiva da "chave do Reino", que em cinco dias se rendeu às tropas espanholas, fizeram com que Filipe I ordenasse a ampliação da fortaleza, designando o Capitão Fratino para a execução das obras que iriam transformar São Julião da Barra "na maior fortaleza marítima portuguesa", concluídas nos primeiros anos de Seiscentos. O projecto filipino implicou a construção de dois novos baluartes, uma esplanada baixa que envolve os baluartes primitivos, um corpo avançado sobre o mar e um fosso, que na prática resultaram num aumento considerável da capacidade defensiva.
Em Dezembro de 1640 as tropas apoiantes de D. João IV conquistaram facilmente, por ataque terrestre, o Forte de São Julião, o que voltou a levantar o problema de deficiências do sistema defensivo da praça da barra do Tejo. Desta forma, ordenaram-se novas obras, sendo o novo projecto entregue a Nicolau de Langres, mas deste seria construído apenas um revelim, que passou a funcionar como entrada principal da fortaleza. 
Já no século XVIII foram feitas obras de recuperação nas muralhas, na cisterna e nos edifícios de aquartelamento, e no ano de 1755 foi edificada no centro da praça de armas a torre do farol, que marca de forma incontornável a feição da fortaleza.
Assim como outras fortificações, também São Julião da Barra serviu de prisão militar e política. Foi célebre o caso do General Gomes Freire de Andrade, que esteve detido em São Julião da Barra e foi executado no terreno anexo à fortificação. A 22 de Agosto de 1951 perde a sua função militar para assumir a passagem a novas funções de estado e de recepção de eventos políticos.
Hoje em dia é residência oficial do Ministro da Defesa. São de salientar as esplanadas, as casamatas em abóbada e a cisterna, onde com regularidade ocorrem iniciativas culturais.

Ler mais:
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74623/
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2343
http://www.cm-oeiras.pt/pt/descobrir/patrimonio/patrimonio-militar/Paginas/fortesaojuliaobarra.aspx
https://www.defesa.pt/Paginas/OFortedeS%C3%A3oJuli%C3%A3odaBarra20121101.aspx
http://www.historiadeportugal.info/forte-de-sao-juliao-da-barra/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_São_Julião_da_Barra

sábado, 22 de dezembro de 2018

Igreja da Lapa

Em 1754, o fundador da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa pregava pelo Porto, com a intenção de construir uma capela em honra de Nossa Senhora da Lapa. Em 1755, fruto das esmolas, construiu-se a Capela de Nossa Senhora da Lapa das Confissões.
A primeira pedra da igreja foi lançada em 17 de julho de 1756 e, embora tenha sido consagrada em 1779, a construção só foi concluída em 1863. O primeiro projecto da igreja foi encomendado ao arquitecto João Glama Ströberle. Em 1756 foi encomendado em novo desenho ao arquitecto Figueiredo Seixas, que dirigiu as obras até à data da sua morte em 1773. A construção da igreja arrastou-se por mais de 100 anos. A marca deste último arquitecto está bem presente no interior, de gosto claramente neoclássico. Por fim, resta referir José Luís Nogueira Júnior, responsável pela obra na fase do levantamento das torres, muito elevadas em relação à fachada. Erguida ao longo de mais de um século a igreja da Lapa não poderia deixar de exprimir os vários gostos das diferentes épocas, equilibrando-se entre o rococó e o neoclassicismo, que apear das muitas e variadas intervenções, logrou alcançar um equilíbrio formal quer no exterior quer no interior.
A Igreja da Lapa faz parte de um conjunto edificado que inclui o cemitério da Lapa, a escola primária da Irmandade e o Hospital da Irmandade da Lapa. Desde 1835, a Igreja acolhe o coração de D. Pedro IV, doado em testamento à irmandade, albergado num monumento localizado na capela-mor.
A fachada, de dois registos, é seccionada por pilastras que definem cinco panos abertos por vãos diversos. No inferior, rasgam-se três portas, sendo que as laterais conduzem a longos corredores de acesso à sacristia ou á Casa da Irmandade. O segundo registo, mais neoclássico, antecede o frontão triangular que remata o alçado e sobre o qual se elevam as esculturas representando Raquel, Judite, Ester e Sara.
No interior da igreja há obras de arte que saltam à vista: desde a tela de 20 metros do pintor portuense Joaquim Rafael que se destaca no altar, encimado por uma estátua central de Nossa Senhora da Lapa, até aos vitrais no extremo oposto da nave da igreja, concebidos pelo artista italiano Ricardo Leone, que envolvem o monumental órgão de tubos.O maior instrumento deste tipo em Portugal impressiona desde logo pelas cerca de 32 toneladas, 15 metros de altura, 10 de largura e 5 de profundidade, dispondo de 64 registos, 256 combinações, 4 teclados e 4500 tubos capazes de produzir um som único que pode ser fruído pelo público nas missas de domingo.
A Igreja da Lapa está classificada Imóvel de Interesse Público desde 2013.

Ler mais:
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/5975244/
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=34498
https://www.dn.pt/artes/interior/lapa-um-pedaco-da-historia-de-portugal-para-conhecer-no-porto-5021241.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_da_Lapa_(Porto)
https://invictadeazulebranco.pt/igreja-da-lapa-porto/

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Caminho de Santiago - Rota da Terra Fria

Os caminhos de Santiago são um dos denominadores comuns da cultura europeia. Estes itinerários, que são espaços públicos de convergência e de harmonia, devem ser respeitados e promovidos. Neles, qualquer caminhante se sente um cidadão do mundo, o que lhe dá a oportunidade de perspectivar as suas convicções num sentido ecuménico de abertura e de tolerância.
É nesta rede intrincada de itinerários jacobeus provenientes de todos os cantos da Europa, que se enlaçam os que têm origem em Portugal ou os que utilizam o nosso país como encurtamento de distâncias. Na Terra Fria do Nordeste Transmontano os percursos utilizados respigam-se de vagos testemunhos documentais e reconstroem-se com base na tradição oral que evoca ainda muitas histórias, mais ou menos coerentes, que animam o imaginário popular.
Estes percursos ou, pelo menos, alguns deles, podem considerar-se braços de um itinerário geralmente designado por Via de La Plata, com origem em Sevilha e escala em Zamora e Astorga, onde se articula com o conhecido Caminho Francês de Santiago.
A partir de Zamora havia de facto a possibilidade de reduzir a distância a Santiago e evitar a travessia da Sanabria rumando através de Portugal, por Bragança, Vinhais e Chaves até Ourense. Este trajecto foi sinalizado com setas amarelas pela Associação “Amigos del Camiño de Santiago de Zamora”, que o designa “Caminho Português da Via de la Plata”.
No território da TFT e proveniente de Zamora e Alcanices, entra em Quintanilha e passa em Réfega, Palácios, Babe, Gimonde, Bragança, Castro de Avelãs, Lagomar, Portela, Castrelos, Soeira, Vila Verde, Vinhais, Soutelo, Sobreiro, Aboa, Candedo, Edral e Sandim, entrando novamente em Espanha nas proximidades de Verín.
Para além das referências às localidades que integram a Rota da TFT que atrás se apresentaram, merecem destaque a arquitectura popular em Réfega, a ponte medieval sobre o rio Onor em Gimonde, o mosteiro de Castro de Avelãs, o percurso de Lagomar à Portela entre castanheiros centenários, a ponte romana sobre o rio Baceiro em Castrelos e a ponte medieval sobre o rio Tuela na proximidade de Soeira, o vale do rio Tuela no percurso para Vinhais, a vista do Parque Natural de Montesinho a partir do Monte da Forca, a descida ao Rio Rabaçal e a subida até Edral, porventura o troço mais árduo deste caminho.

Fonte: Rota da Terra Fria Transmontana
http://www.rotaterrafria.com/pages/135

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Jardim dos Amuados

O Jardim dos Amuados situa-se em Loulé e foi construído nas últimas décadas do século XIX sobre o antigo cemitério e parte do adro da igreja matriz. O seu limite oeste assenta sobre a antiga muralha da cidade. 
Em 1883 foi mandado fazer um muro de um metro de altura e colocada uma grade e um portão a fim de se fechar o espaço que iria ser destinado a jardim. Foram expropriadas algumas das casas existentes e em 1890 o jardim foi arborizado. 
Em 1948 deliberou-se que o Jardim do Largo do Batalhão Sapadores dos Caminhos de Ferro passaria a ser designado pelo nome de “Jardim dos Amuados”, referência popular originada pelo facto dos bancos do dito jardim estarem agrupados aos pares, costas com costas.
Trata-se de um pequeno jardim com árvores de grande porte e canteiros relvados.

Ler mais:
https://www.geocaching.com/geocache/GC4YWX7_jardim-dos-amuados-loule
https://rotaslusitanas.blogspot.com/2018/01/jardim-dos-amuados-loule.html

Reserva Natural das Berlengas


O arquipélago das Berlengas é um arquipélago composto por ilhas graníticas, situado no oceano Atlântico, a 5,7 milhas a oeste do cabo Carvoeiro. Dependem administrativamente da freguesia de São Pedro, em Peniche. O arquipélago é constituído por três grupos de ilhéus – a Berlenga Grande, as Estelas e os Farilhões ou Forcadas.
A importância das Berlengas enquanto ecossistema insular, o valor biológico da área marinha envolvente, o elevado interesse botânico, o papel da ilha em termos de avifauna marinha e a presença de interessante património arqueológico subaquático foram outros tantos factores que pesaram na classificação do arquipélago como Reserva Natural, em 1981.
A Reserva Natural das Berlengas compreende uma área muito vasta de reserva marinha situada na envolvente do arquipélago. A sua extensão total aproximada é de 9.560 ha (área terrestre da Reserva - ca. 104 ha; área marítima - ca. 9.456 ha).
Algumas das espécies de flora presentes no arquipélago das Berlengas são únicas na Terra (espécies endémicas da Berlenga), outras, têm distribuição muito restrita. A quase ausência de espécies arbóreas explica-se pela dificuldade de instalação, devido à falta de solo e aos ventos fortes carregados de sal.
As características geográficas e climáticas únicas das ilhas do Arquipélago das Berlengas conduziram à especiação de dois endemismos florísticos (Armeria berlengensis e Herniaria berlengiana) e à ocorrência de uma comunidade vegetal peculiar.
Dos habitats presentes merecem especial distinção os recifes de origem rochosa, bem como as grutas marinhas submersas ou semi-submersas, onde vivem comunidades bentónicas vegetais e animais, e onde ocorrem comunidades não bentónicas associadas, em apreciável estado de conservação.
As falésias costeiras expostas aos fortes ventos marítimos assumem particular importância, possibilitando a existência de vegetação de fendas mais ou menos terrosas, própria de rochedos graníticos litorais.
Dependendo as aves marinhas do sustento que o mar lhes fornece, facilmente se compreende a importância deste arquipélago. No mar buscam o alimento e na ilha encontram o refúgio ideal para a reprodução. Algumas aves ocorrem ocasionalmente na ilha, utilizando-a como escala nas suas migrações, outras apresentam populações nidificantes estáveis.
O airo Uria aalge, ave adoptada como símbolo da Reserva Natural e, em muitos aspectos, muito semelhante ao pinguim das paisagens antárcticas, tem na Berlenga o seu único local de nidificação em Portugal.
Património marinho de evidente valor, constituindo a Reserva Marinha adjacente a zona de maior diversidade subaquática da costa portuguesa, com presença frequente de mamíferos marinhos.
O forte de São João Baptista recorda gestas passadas enquanto o farol da Berlenga assinala a localização da ilha a 30 milhas de distância. A Reserva Natural regista presença intermitente de pescadores ao longo do ano e assinalável frequência turística durante o Verão.

Ler mais:
http://www2.icnf.pt/portal/ap/r-nat/rnb
https://turismodocentro.pt/artigo/uma-viagem-as-maravilhosas-ilhas-das-berlengas/
http://www.natural.pt/portal/pt/AreaProtegida/Item/18
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquipélago_das_Berlengas
https://juliedawnfox.com/berlengas/

EN 2 - Troço Viseu - Penacova

O projecto da Rota da Nacional 2, gira em torno do potencial desta estrada, que tem uma mística lendária (antiga Estrada Real), distinguindo-se nesse aspecto de todas as outras, visto que foi projectada como ligação entre Chaves e Faro, num percurso vertiginoso pela espinha dorsal do País.
No troço entre Viseu e Penacova, a saída de Viseu a partir do Rossio faz-se pela Avenida 25 de Abril; passando a primeira rotunda e sempre em frente entra-se na avenida do Regimento de Infantaria 14. Passa-se por um local chamado Repeses e na sexta rotunda a partir de Repeses, vira-se à direita um pouco antes de Vila Chã de Sá. Depois de se passar pela aldeia de  Fail, entra-se no pouco que resta da EN-2 no concelho de Viseu, tentando seguir as direcções de São Miguel do Outeiro, Sabugosa, Canas de Santa Maria e Tondela.
Este é o troço mais confuso e sem informação até porque troços desta estrada foram convertidos em arruamentos urbanos ou estradas municipais.
A de travessia Tondela faz-se pela Avenida Engenheiro Adelino Amaro da Costa, sempre em frente depois pela Avenida dos Bombeiros voluntários, e Avenida Sá Carneiro que aqui substituem mais uma vez o nome à EN-2. Tondela é uma cidade, sede de concelho, localizada na região de Dão-Lafões, envolvida pelas belas paisagens da Serra do Caramulo.
Depois segue-se a direcção de Adiça, Vila Pouca e Santa Comba Dão cuja distancia é de 15 km.
Nos concelhos de Santa Comba Dão e Mortágua a EN-2 desaparece por completo, como Estrada Património, tendo sido amputada em 18 km pela construção da barragem da Aguieira e do IP 3.
A N2 passava por ali, às curvas entre montes e vales para atravessar o rio junto à aldeia da Foz do Dão, sacrificada em nome do progresso, por ter ficado submersa pelas águas da albufeira da barragem da Aguieira. Na Foz do Dão, a estrada atravessava o rio Dão (no local onde este se junta ao Mondego) através de uma imponente ponte de arcos que permanece hoje também submersa. Este era o local que estabelecia os limites entre os concelhos de Santa Comba Dão, Penacova e Mortágua, dividia os distritos de Coimbra e Viseu e separava a Beira Litoral da Beira Alta. O trajecto efectua-se actualmente pela ponte resultante do paredão da barragem.
Na localidade do Porto da Raiva, junto à barragem da Raiva, restabelece-se o percurso da antiga EN-2. Esta é uma pequena aldeia do município de Penacova, situada na margem esquerda do rio Mondego. É uma povoação com um passado importante que, pela sua boa localização junto ao rio Mondego, era como um posto de trocas comerciais e de escoamento de produtos vindos do interior transportados em carros de bois de onde saiam depois em barcas para as cidades de Coimbra e Figueira da Foz.
Logo a seguir, é no local de Entre-Penedos que se situa a conhecida “Livraria do Mondego”, denominada assim devido ao estrangulamento do rio e às “altas camadas de quartzitos silúricos, muito fracturados, dispostos quase verticalmente como livros inclinados numa estante.
Finalmente, atinge-se a vila de Penacova, sede de concelho, situa-se num local de grande beleza natural, na margem direita do rio Mondego, no alto de um ponto rochoso (a “Penha”), e rodeada pelas luxuriantes Serras do Buçaco e do Roxo.

Ler mais:
http://amantesdeviagens.com/conhecer-portugal/estrada-nacional-n2-portugal/
https://maladviagem.blogspot.com/2016/10/roteiro-estrada-nacional-n-2-ou-en2.html
https://penacovaonline.blogs.sapo.pt/181872.html


Igreja da Santíssima Trindade

A Igreja da Santíssima Trindade localiza-se na vila de Lajes do Pico e remonta a um primitivo templo erguido em data anterior a 1503.
O início da construção da actual igreja remonta a 1895, mas devido a problemas políticos aquando a implantação da República e a dificuldades de financiamento, as obras só terminaram em 1967.
A igreja apresenta planta rectangular composta por três naves, separadas por arcos apontados sobre pilares, e cabeceira tripla. Interiormente, é amplamente iluminada e com tectos de madeira. A fachada principal é harmónica, com torres de três registos, enquadrando pano central terminado em frontão triangular e rasgado por três portais encimados por janelões em arcos apontados sublinhados por cornijas. Fachadas laterais com porta travessa e janelas de igual modinatura. No interior possui coro-alto sobre arcos apontados e arco triunfal e dos absidíolos também apontados.

Ler mais:
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=8120
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_da_Santíssima_Trindade_(Lajes_do_Pico)

Forte Jesus de Mombaça